Projeto Rio Mais Leite inicia genotipagem A2A2 nos rebanhos atendidos
- Regina Groenendal
- 3 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 10 de jan.
Testes realizados a campo durante atendimentos de manejo sanitário identificam animais com potencial para produção de leite A2
O leite A2 tem ganhado destaque como uma tendência de mercado associada à busca por produtos diferenciados e voltados a públicos específicos. Produzido por vacas que possuem exclusivamente a beta-caseína A2, esse leite é considerado mais fácil de digerir por algumas pessoas, o que tem ampliado o interesse do setor por ferramentas capazes de identificar essa característica genética nos rebanhos leiteiros.
Nesse contexto, o Instituto BioSistêmico iniciou o rastreamento do perfil genotípico A2A2 no Projeto Rio Mais Leite. A ação foi realizada durante os atendimentos de manejo sanitário, no mês de novembro, nas propriedades atendidas e marcou a primeira rodada de testes rápidos a campo para identificação de animais A2A2 no rebanho.
A genotipagem A2A2 permite mapear vacas com potencial para produzir exclusivamente o leite A2 e pode ser realizada por meio de testes laboratoriais de DNA ou por testes rápidos aplicados diretamente na fazenda. Essa abordagem possibilita que os produtores tenham acesso a informações estratégicas sobre a genética dos animais de forma prática e acessível.
Os atendimentos foram conduzidos pelo médico veterinário e consultor do IBS, William Eduardo da Silva, que explica que os produtores foram orientados a separar previamente amostras de leite e armazená-las de forma adequada para a realização dos testes durante a visita técnica. Além da genotipagem, os atendimentos também incluíram o reforço das boas práticas de manejo sanitário, com a revisão das orientações técnicas trabalhadas ao longo do ano.
“Revisamos tudo o que já foi trabalhado com os produtores, ajustando alguns pontos e reforçando melhorias que trouxeram resultados para a propriedade. É um momento de consolidar o trabalho feito”, explica o consultor.
Aceitação dos produtores e novas perspectivas para o rebanho
Segundo William, a aceitação da tecnologia por parte dos produtores foi bastante positiva, especialmente por desmistificar a ideia de que a genética A2A2 estaria restrita a rebanhos altamente especializados. “Mesmo trabalhando com animais cruzados, todos os produtores atendidos tinham pelo menos um animal A2A2 no rebanho, o que surpreendeu e motivou muitos deles”, relata.
A identificação desses animais abre novas possibilidades, principalmente para produtores que fabricam queijos artesanais, comercializam leite no varejo ou destinam parte da produção ao consumo próprio. “Para muitos, foi importante perceber que essa genética já está presente no rebanho e que pode representar uma oportunidade futura de diferenciação”, acrescenta.
De acordo com o coordenador técnico de projetos de pecuária do IBS, Matheus Henrique Magalhães, todos os touros utilizados nos protocolos de inseminação artificial por tempo fixo (IATF) do Projeto Rio Mais Leite são touros A2A2, selecionados junto às centrais de inseminação.
“Essa escolha garante que o melhoramento genético do projeto esteja alinhado à produção de leite A2, enquanto os testes realizados nas vacas têm o objetivo de identificar a presença dessa genética nos rebanhos atendidos”, explica Magalhães.
Próximos passos para o fortalecimento da genética A2A2
Atualmente, nenhum dos produtores atendidos possui produção totalmente A2A2 ou realiza a separação do leite desses animais. No entanto, todos passaram a ter os indivíduos positivos identificados no rebanho e receberam orientações sobre a importância de, futuramente, separar esse leite, seja para consumo próprio, venda direta ou possíveis programas de bonificação por parte de laticínios.
Os próximos passos incluem a ampliação do número de animais testados e o fortalecimento do trabalho genético nas propriedades, com a recomendação técnica de acasalamento de vacas A2A2 com touros também A2A2, garantindo a permanência dessa característica no rebanho ao longo do tempo.
A iniciativa reforça o compromisso do IBS em levar inovação, informação técnica e tecnologias aplicáveis à realidade dos produtores, contribuindo para a valorização do leite e o fortalecimento da pecuária leiteira regional.
Sobre o Projeto Rio Mais Leite
Concebido e executado pelo Instituto BioSistêmico, o projeto Rio Mais Leite conta com recursos da Fundação Zoetis e tem como foco o desenvolvimento da pecuária leiteira em 100 propriedades leiteiras com perfil de agricultura familiar, na região Sul do Estado do Rio de Janeiro.
A iniciativa envolve ações de assistência tecnológica organizadas em quatro eixos: boas práticas, manejo reprodutivo, manejo nutricional, manejo sanitário e boas práticas no processamento de queijos artesanais.
O projeto utiliza a metodologia CheckMilk, que inclui uma plataforma digital com sistema de gestão e aplicativo de apoio ao trabalho das equipes técnicas e dos produtores, oferecendo suporte contínuo à rotina das propriedades.













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